Vem, amor.



Nos dias que tiveram os sucessivos casos de crimes bárbaros ocorridos nas escolas foram terríveis para mim, me trouxe uma angústia imensurável, mesmo não tendo vivido nenhum dos casos pessoalmente. Tive pesadelos, crise de ansiedade, pensamentos acelerados. Pensar nas famílias que perderam seus pequenos tão preciosos me fez sentir uma dor profunda e até perder o ânimo e a esperança na humanidade. Tentei não assistir aos noticiários para não não ficar pior, mas as redes sociais e os grupos de mensagens estavam lotados de informações, especulações, vídeos, fotos e medo, muito medo.

Comecei a relembrar tantos momentos marcantes de tragédias que a humanidade já presenciou, algumas tão chocantes que entraram para a história. No entanto, em meio ao caos tenho percebido uma onda de acontecimentos muito mais forte e persistente, essa sim mostra a verdadeira coragem e essência do ser humano: o amor.

Sim, diante de tanto terror eu vi o amor prevalecer bem ali diante dos meus olhos, só precisei parar um pouco para notá-lo. Ele não estava escondido, pelo contrário, ele gritava desesperadamente pedindo nossa atenção, mesmo o pânico e a tristeza tentando silenciá-lo. Mas eu o vi lutar e vencer.

Vi famílias abraçarem seus filhos, alguns se arriscando para ajudar outros. Professores preocupados com seus alunos, colegas de escola mostrando solidariedade, pessoas se unindo para pensar uma maneira de proteger uns aos outros, jovens falar sobre acolhimento e empatia, famílias que mesmo estando devastadas, entorpecidas pela dor, falavam de amor e esperança.

O amor existe e está sempre por perto, mas ele é tímido e comedido, enquanto que o ódio tenta se expor a todo custo, é um exibicionista, deseja tomar a frente de tudo. Então, precisamos de tempos em tempos parar e deixar que o amor tome a palavra, trazê-lo para fora do seu esconderijo, deixando que ele envolva e encante as pessoas. Que ele se espalhe, se sinta à vontade, que ele fique, que ele nunca nos abandone.

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