Tem um ditado que diz “conhecimento é poder”, mas tem outro que diz “ninguém gosta de sabichões”. É assim que me sinto ao navegar pelo mar sem fim das redes sociais, ora empoderada com novas descobertas, ora sem paciência para pessoas que afirmam saber de tudo e querem ditar regra.
Geralmente as postagens começam assim “Você fez errado a vida toda...”, daí segue-se uma série de explicações sobre algo que todo mundo faz de um jeito e agora alguém diz que está errado e ensina o jeito certo. Na maioria das vezes são coisas que não vão mudar em absolutamente nada a sua vida, porém os vigilantes da vida alheia precisam dar seu parecer.
Vou citar alguns exemplos e você me diz se de fato mudar o hábito e fazer da maneira “correta” fará alguma diferença. Tem um jeito “certo” de descascar a banana e não é pelo caule, aquela pontinha mais proeminente, e sim pela outra ponta. A quantidade “certa” de creme dental usada para escovar os dentes, preparem a régua, deve ser do tamanho de uma ervilha. O jeito “certo” de destacar uma folhinha de um bloco de notas não é de baixo para cima e sim de lado para ela não enrolar. O “certo” é usar o grampo de cabelo com a parte ondulada virada para baixo.
A maneira “certa” de aquecer a comida no micro-ondas é deixando um buraco no meio, dispondo a comida em formato de anel, assim será possível aquecer uniformemente. Tem ainda um jeito “certo” para segurar a taça de vinho, para desatar um nó de uma sacola de plástico, de abrir uma lata de bebida, de usar o anel de lacre da latinha para apoiar o canudo, de amassar a latinha após consumir seu conteúdo, de manusear um saco de salgadinho, de fechar uma embalagem de salgadinho, de limpar utensílios domésticos, de derramar a bebida de uma caixinha, de se secar após o banho, de tirar as pastilhas de Tic Tac da embalagem, ... e pasmem, tem um jeito “certo” de usar o banheiro para fazer o número dois.
O que me irrita mais não é que alguém se dedique a desvendar os mistérios do dia a dia, e sim os vigias que quando te veem fazendo as coisas da forma tradicional não hesitam em alertar que você está fazendo do jeito “errado”. E com grande satisfação salvam sua vida ensinando o jeito “certo”. O que é realmente importante e precisa de mudanças, ninguém está nem aí, o que vale é te sobrecarregar com informações desnecessárias. O que mais me assusta é a satisfação que essas descobertas trazem, eu confesso que quando me deparo com um vídeo desses paro para assistir. Fico irritada em seguida.
Eu continuo descansando a banana pelo talinho e estou sobrevivendo... Mais ranzinza a cada dia que passa? Sim. Mas sobrevivendo. Todo esse excesso de “faça assim”, “não faça assado” gera ansiedade, angústia e estresse. Em todo mundo? Não sei. Em mim, sim. Acho que preciso assistir um vídeo sobre como não se tornar ranzinza na sociedade atual e seguir o passo a passo.
— Ok, Google! Como não ficar ranzinz...
Comentários
Postar um comentário