Quem não gosta de um programa de fidelidade? Embora que muitos deles estão bem chinfrins ultimamente. Como nós geralmente nos conformamos com um “é melhor do que nada”, acabamos aceitando as pioras feitas nos diversos programas. E em alguns casos quando vamos tentar utilizar os benefícios conseguidos mais parece que estamos pedindo um favor e não ganhando uma recompensa. Mesmo assim, participo de todos os programas de fidelidade possíveis, é melhor do que nada!
Então quanto mais você usa os serviços ou compra os produtos de um estabelecimento, vai juntando pontos e então consegue descontos ou trocar por brindes, produtos ou serviços; esse é o conceito moderno que alguns têm sobre relacionamento, seja de amizade ou amoroso.
Como diz Bauman, e eu concordo, vivemos em tempos líquidos, e eu percebo que os sentimentos verdadeiros estão indo por água abaixo. Eu digo sentimentos verdadeiros porque com as redes sociais expressamos felicidade, raiva, compaixão, tristeza..., mas tudo de mentira, vai depender da trend. Com o culto ao individualismo, “o importante é você se sentir bem”, mas, às custas de quem? Eu pergunto. Quer dizer que eu posso atropelar os sentimentos alheios desde que isso vá fazer eu me sentir bem? Dúvidas.
E foi deslizando meu feed infinito que me peguei pensando o que é amor. Entre as postagens vi, uma dizia que precisamos ter ao nosso redor pessoas que têm algo para nos acrescentar, que nos tragam coisas boas. Eu procuro amizades ou um programa de fidelidade? Se for assim, não temos relacionamentos, temos trocas de interesses. E amizade é isso? Espero que não.
Antes que os haters venham me cancelar (acho sempre necessário enfatizar isso), quero deixar bem claro que se relacionar com pessoas que não tem nada a me oferecer não é a mesma coisa que ter em meu círculo de amizades pessoas que querem e tentam me prejudicar. Esse alerta é válido, pois as pessoas costumam inferir de uma afirmação outras interpretações que habitam em suas mentes sequeladas. Dos que querem o meu mal eu quero distância. Embora exista aquela máxima: quero meus amigos bem próximos e meus inimigos mais próximos ainda para poder ficar de olho, no momento estou preferindo deixar meus inimigos lá no cantinho deles mesmo.
Paranoias à parte, o fato é que algumas pessoas têm para nos oferecer sua companhia e afeto, acontece que esses não são ativos negociáveis na bolsa de valores, não dá para trocar por um almoço grátis nem por uma entrada no cinema. Algumas pessoas, sejam amores ou amizades, não nos farão conseguir um emprego melhor, ou aumento de salário, ou dinheiro ou fama; serão ouvidos atentos e um ombro amigo, uma companhia, alguém para testemunhar nossa existência e compartilhar a vida. Todavia, muitos só compreenderão o valor de tudo isso quando estiverem rodeados de pessoas, com currículos promissores, e sentindo-se sozinhos.
Comentários
Postar um comentário