Quem define quem é louco? Acho que vi esse questionamento em algum filme, mas não consigo lembrar qual. Só sei que desde que assisti, não consegui parar de pensar nisso. Nas minhas cansativas e infinitas reflexões sobre a vida percebo que o senso comum tem três parâmetros bem simples para medir a sanidade do outro: sair pelado na rua, rasgar dinheiro e jogar pedra nos outros sem motivo real para isso. A menos que a pessoa apresente um desses três pré-requisitos, ela é encarada como sã.
Acredito que me imaginar quebrando tudo que vejo pela frente, embora a vontade seja real, não me faz louca, e mesmo que eu faça isso, devo ganhar no máximo o laudo de surtada, agora se eu fizer isso pelada, aí sim, é internação na certa. O segundo quesito, rasgar dinheiro, está praticamente em desuso, pois daqui a pouco não haverá mais dinheiro de papel disponível na praça, aí não teremos o que rasgar. O terceiro precisa ser atualizado, pois acredito que os loucos têm se modernizado e agora usam até a tecnologia para atacar e ferir seus “inimigos”.
Segundo as vozes da minha cabeça, uma pessoa é louca quando ela age fora da realidade, acredita em coisas que não existem, vive numa realidade paralela, quando ela não consegue distinguir o que é real e o que é imaginário (como as pessoas que empinam moto ou saem cortando o trânsito a toda velocidade como se estivesse num filme de ação), assim seu comportamento coloca em risco as pessoas que estão ao redor e a si mesma. Oxente! Acabei de descrever uma boa parte da população. O que deve acontecer é que existem níveis de loucura, uns socialmente aceitáveis, ou tolerados, e outros não.
Por exemplo, estava eu fazendo caminhada e vi uma moto estacionada na traseira de um carro, mesmo tendo inúmeras vagas livres no estacionamento, inclusive uma área só para motos. O motorista precisou subir na calçada para poder tirar seu carro, pois não conhecia o dono da moto. Podemos ver claramente que o dono da moto vive numa realidade paralela em que ele é tão importante e único que suas vontades precisam ser satisfeitas a todo custo e que o mundo gira ao seu redor (na Idade Média, ideias como essas eram perigosíssimas e o tratamento para os declarados loucos era severo). Eu prefiro acreditar que uma pessoa dessa é louca, pois se enquadra nos meus parâmetros do que é loucura, e não que ela seja folgada. Será que se o motorista do carro tivesse passado por cima da moto ele teria sido considerado louco, ou ele precisaria estar pelado? Se brincar, isso pode até virar estratégia para se livrar de uma abordagem. Tenho a impressão de que isso já acontece, não é?
Mas a minha preocupação é que o diagnóstico para loucura é clínico, depende de quem avalia e da capacidade da pessoa de relatar o que sente. Para ilustrar minha aflição, eu conheci uma jovem surda que tinha sido abandonada pela mãe. A avó, que a criou, tinha poucos recursos e passava dificuldades, não sabia se comunicar com a neta, que usava língua de sinais. Quando a falta de comunicação acontecia em situações extremas, a jovem surda tinha acessos de ira e quebrava o que via pela frente. Levada ao médico, seguiu para internação num hospital psiquiátrico. Gente, eu já tive uma raiva dessas e saí chutando as coisas e quebrando outras e até hoje não fui internada. Será que louco era o médico?
Eita, se depender de mim, não vai escapar ninguém são. Acho melhor parar por aqui, além do mais, tenho que ir alimentar meu unicórnio...
Comentários
Postar um comentário