A humanidade não resiste à tentação de se classificar em grupos, quando estamos quase aprendendo sobre um determinado grupo, ele acaba se reorganizando e se dividindo em outros grupos, assim começamos todo o processo para entender e atender àquele novo grupo. Na minha época de escola a quantidade de grupos existentes eram menores e os que não se enquadravam no grupo se destacavam, eram conhecidos também como rebeldes, alguns chamavam de rebeldes sem causa, mas muitos deles tinham sim causas difíceis de lidar e tentavam pedir socorro através da vestimenta e do comportamento.
Com o tempo o número de pessoas rotuladas de rebeldes foi aumentando e se popularizando, hoje as características que os destacavam já são muito comuns que não servem mais ao propósito inicial. Digo isso, porque ainda percebo que alguns, principalmente jovens, tentam expressar sua individualidade, e pedir socorro, através da maneira de se vestir e se comportar, assim como na minha época de escola. Mas não consigo perceber individualidade de fato em ninguém, e culpo a internet por isso.
Através das redes sociais passamos a perceber que atitudes que pareciam ser incomuns, são na verdade muito frequentes, não raro vemos um post ou meme que exprime exatamente os sentimentos e ideias que antes achávamos ser algo que nos tornava únicos, tais pensamentos e gostos são na verdade comuns a muita gente, só não se tocava no assunto, vindo a ser conhecidos por causa das redes sociais; quando um post começa assim: “só eu que…” é seguido de inúmeras curtidas e comentários em concordância.
Somos tão bombardeados de ideias, dicas, sugestões, tendências, como fazer isso e aquilo, o que comprar, o que não comprar, o que fazer e o que não, que comecei a me perguntar: "Será que eu realmente tenho vontade própria ou tudo que faço é produto da influência do meio?” A individualidade, na verdade, não parece ser algo externo e sim algo no campo dos ideais, valores e princípios, o que eu acredito, a minha essência. O exterior pode aparentar não ter nada a dizer, pode não ser tão empolgante, imponente ou desafiador, mas internamente ter um mundo de ideias, convicções e muito para ensinar.
Para mim, o maior ato de rebeldia hoje é mostrar amor, respeito e consideração pelas pessoas, pelos mais velhos, por pessoas de quem não esperamos nada em troca; é querer estudar, almejar uma profissão que de alguma forma torne este mundo melhor ou que pelo menos torne a vida das pessoas melhor; é fazer o bem, mesmo que ninguém esteja fazendo ou olhando, ou filmando; será que não estou eu tentando te influenciar? Mas se temos que ser influenciados de alguma forma, que seja para o bem!
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