Ninguém é perfeito! Isso é um fato. Todos somos compostos de qualidades e defeitos. A aparência é apenas um atributo dentro de tantos outros que compõem o ser humano e justamente devido à sua natureza externa e explícita é uma das primeiras a atrair nossa atenção. Há quem diga que a beleza é subjetiva, mas somos obrigados a concordar que algumas coisas são unanimemente belas ou feias.
Se você é Millennial, assim como eu, há de concordar que os atores Brad Pitt e Tom Cruise são bonitos, exageradamente bonitos, lindos demais. Está bem, vou facilitar para você que é da geração Z, o ator Regé-Jean Page é lindíssimo, um arraso. Viu? É unânime. Você também com certeza vai concordar comigo que aquela raça canadense de gato, Sphynx, que é completamente pelada ou a raça de cachorro Cão de Crista Chinês, que tem umas partes com pelo e outras sem, são feios para caramba; eu amo os animais, mas não há como negar a feiura deles.
Nessa batalha entre o belo e o feio, que sempre existiu, começou a surgir uma tendência de querer convencer a todos que não existe ninguém feio, todo mundo é bonito e que se você acha alguém feio é porque você é uma pessoa amargurada e sem amor. Ou ainda, se você se acha feio é porque tem problema de autoestima. Eu acho que se trata de pessoas realistas e conscientes de suas limitações. E não adianta dizer para um feio que ele é bonito; ele não acredita, nem você.
Na minha humilde opinião, que ninguém perguntou, não há problema nenhum em achar que alguém é feio, o problema é achar que o ser humano é só isso, dar valor apenas a aparência física. E antes que venham me cancelar, eu tenho lugar de fala, afinal beleza nunca foi meu maior atributo, nem autoestima. E na verdade ninguém se importa de fato com isso — exceto por alguns que querem troféus e não companhias — apenas seguem cegamente uma multidão carente de afeto; desesperados por atenção, tentam conquistar pelo meio mais imediato, a aparência, em vez de trabalhar outras qualidades mais significativas e duradouras e construir uma relação.
Mas a minha afirmação tem embasamento teórico, me acompanhe: se beleza fosse o fator mais importante num relacionamento as famosas lindas e maravilhosas não seriam traídas por outra pessoa não tão linda e não tão maravilhosa; todo mundo que assiste Shrek se apaixona pelo ogro, mesmo ele sendo um ogro, nas feições e no comportamento; a Bela se apaixona pela Fera antes de vê-lo como príncipe, e olha que quando ela o conheceu ele era um cara tóxico; conheço pessoas que a aparência não é lá essas coisas, mas arrastam quarteirões, passam o rodo geral, as mulheres até brigam para ficar com ele. Contra esses fatos não há argumentos.
O que acontece é que nos sacrificamos para impressionar outros que estão se sacrificando para nos impressionar, no mínimo está havendo um erro de comunicação. Beleza é vitrine, tem sua serventia, mas se ao verificar o produto de perto não tiver os outros atributos eu não levo. A beleza é atalho, pode te ajudar a chegar a algum lugar mais rápido ou te levar até o lobo mal. A beleza exterior atrai sim à primeira vista, mas não é o suficiente para estabelecer e manter um relacionamento sincero.
Também não precisa hostilizar o belo, a beleza é para ser admirada. E ser feio e invejoso? Ninguém merece! E não me entendam mal, não sou contra quem procura melhorar sua aparência, quem não gosta de se sentir bonito? O que hoje se tornou uma questão de saúde física e mental é a obsessão pelo corpo perfeito e a supervalorização da aparência. Eu não acredito que a solução seja tentar convencer que não existe o feio, mas entender que quem não tem beleza, tem outras qualidades que precisam ser valorizadas.
Vamos trabalhar nossas inúmeras qualidades, ser equilibrado é um ótimo começo.
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