Das definições que conheço sobre empatia, a minha preferida é a que diz que empatia é “a sua dor no meu coração”, mas muita gente parece não conseguir mostrar empatia, tem dificuldade em se colocar no lugar do outro, outros afirmam não saber nem mesmo o que significa. Já vou adiantando que empatia não deve se limitar ao campo dos sentimentos, precisa habitar no plano da ação. Mas existem duas coisas em que a empatia é imediata e ninguém resiste em mostrar, é instantâneo e unânime. Nestes dois casos são empatias predefinidas, de fábrica, não sendo necessário nenhum esforço para senti-las.
Por exemplo, um homem jamais saberá como é a dor do parto — algumas mulheres também não, mas nós temos uma amostra grátis em forma de cólicas periodicamente — ele só tem uma ideia de como deve ser, alguns até já tentaram simular colocando eletrodos para emitir choques e causar contrações e sensações, no entanto, nunca será igual, serve apenas para se ter uma noção. Só que mesmo que o homem não tenha passado por nenhum desses testes, ele sabe que a dor do parto é intensa. Então, quando uma mulher está em trabalho de parto todos que estão ao redor, não importa se é homem ou mulher — tirando, é claro, alguns desalmados — sentirão empatia e concordarão que naquele momento a mulher precisa de todo o apoio e compreensão.
Em contrapartida, a mulher jamais saberá como é a dor de levar um chute no meio das pernas. É impossível saber com certeza, mas uma coisa é clara: quando vemos um homem sofrendo esse golpe a empatia é imediata, até mesmo colocamos as mãos no lugar correspondente como um gesto de cumplicidade. É quase como se conseguíssemos sentir a dor e nos compadecemos por aquele ser miserável e sofredor.
Eu acredito que a empatia é como um músculo, precisa de exercício contínuo senão perde o tônus. Existem várias maneiras de trabalhar o exercício da empatia, no entanto me aterei a dois princípios básicos. O primeiro consiste em pensar como você quer que as pessoas te tratem quando você está exprimindo alguma dor, algum sentimento ruim ou passando por algum momento difícil. Como gostaria de ser tratado? Você quer que desconfiem do que você está falando ou quer que te deem atenção e validem o seu sofrimento? Guarde essa sensação para usar mais tarde.
O segundo passo é reprimir o julgamento baseado nos seus conceitos e experiências. Nós somos seres humanos, diversos, percebemos as coisas de maneiras diferentes e em intensidades diferentes. Então, às vezes eu chuto a quina do sofá e consigo sobreviver, mas tem pessoas que não. Dessa forma, não posso medir a dor do outro baseando na minha percepção. Sua régua só serve para você.
Visto que estou exercitando a empatia, darei agora uma dica bônus. Para mostrar empatia precisamos evitar elaborar perguntas sobre o assunto e em vez disso fazer afirmações. Por exemplo, alguém te diz que gosta de quiabo. Em vez de se perguntar: “como alguém pode gostar de quiabo?” afirme “fulano gosta de quiabo” e trabalhe em cima dessa informação. A partir daí você não fará objeções quando a pessoa quiser comer quiabo, você simplesmente a deixará em paz e quem sabe até dizer “peço o seu prato com quiabo?”, isso com certeza fará o amante do quiabo se sentindo a pessoa mais importante do universo.
E como se mostra empatia? Dando atenção de verdade, mostrando interesse genuíno, me importando. Não diminuo a dor do outro dizendo que “não há motivo para tanto” ou dizendo que “é um exagero”, simplesmente ficarei próximo e mostrarei disposição em ajudar. Mas aí vai uma palavra de cautela: ser empático não é ser trouxa. Se a pessoa está sofrendo e quer que eu esteja junto, que eu a abrace, segure sua mão, console? Tudo bem. Agora se a pessoa quer que eu mande um PIX de mil reais ou quer que eu empreste meu cartão de crédito, aí não vai rolar.

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