Eu não sei reagir a um elogio. Fico sem graça, tento me justificar dizendo que o mérito não é meu, mesmo sabendo que me esforcei, ralei e penei para conseguir aquilo. Dizem que quem faz isso mostra falsa modéstia e o objetivo é ser elogiado duas vezes, então temos um caso de vício em elogio. Sinceramente, não acho que seja o meu caso. Para falar a verdade, eu fico com medo de criar grandes expectativas sobre mim e depois as pessoas se decepcionarem.
Visto que sou uma pessoa equilibrada, também tenho dificuldade de elogiar os outros. Não é que eu não ache que elas não mereçam, é que eu não sei como fazer mesmo, não consigo reunir as palavras corretas para usar. Quando sai alguma coisa, sai embaraçado, eu fico envergonhada e como saldo temos aquele climão constrangedor, daí fico pensando que a pessoa está pensando que não foi sincero.
O principal objetivo do elogio, de acordo com meu ponto de vista, é reconhecer o mérito de alguém e ao ser reconhecido melhorar a autoestima. Claro que existem outros usos para o elogio, alguns o deturpam usando-o para manipular outros, mas nem quero entrar nesse mérito. Mesmo levando em conta minha total falta de habilidade em lidar com elogios, já tem um tempo que venho percebendo pelo menos o que não é adequado para a ocasião.
Uma maneira de elogiar que considero erradíssima, isso mesmo, vai além da inadequação, acho errado mesmo, é elogiar um criticando o outro. Já tentei de todas as formas entender por que fazemos isso, elogiar em comparação com outros, mas sem sucesso. Confesso que é difícil resistir à tentação de fazer isso, muitas vezes quando me dou conta, já estou fazendo:
— Você é tão proativa, diferente de Joana que só quer receber tudo pronto, fica esperando as coisas caírem do céu!
O elogio não podia ter parado no “proativa”? Eu percebo que o ser humano tem uma tendência — uns com mais intensidade que outros, alguns reprimem enquanto outros aguçam — de querer se sentir superior, importante, VIP; para esse propósito a comparação é perfeita. Então, elogiando em detrimento de outro fazemos dois serviços: reconhecemos o mérito e a superioridade. Será que é por isso que agrada a muitos?
Um “Você se veste tão bem!” não precisa vir acompanhado de um “Não é como Mariana que veste cada roupa brega!”. Ou “Você tem uma oratória maravilhosa!” não precisa se juntar ao infeliz “Quando Estevão fala eu não entendo nada!”. Vamos separar as coisas, deixar o elogio para fins pacíficos e a comparação para a discórdia, cada coisa no seu lugar. Ainda apelo: elogiar é muito melhor que fazer comparação! Ops! Fiz de novo! Calma gente, estou em tratamento, ainda não estou completamente curada dessa mania.
Comentários
Postar um comentário