DECEPÇÃO



Um dia desses li na Ágora moderna, a internet, uma frase que dizia que a gente só se decepciona com quem a gente confia, parece bem óbvio, mas não é fácil de se conscientizar disso. Claro que se a gente não confiasse, não se decepcionaria, acontece que nem sempre conseguimos confiar desconfiando, o que por si só não configuraria confiança. Sim, a decepção me deixa com pensamentos confusos. 

De tudo, o que mais me admira é eu perceber os indícios gritando para me alertar e quando acontece, a decepção anunciada, eu fico em choque. Sofrer uma decepção nas mais diferentes áreas da vida é o esperado. O espanto deveria vir quando não acontecesse. Porém uma característica do ser humano é ser otimista, muitas vezes sem moderação, aí como dizia minha avó: “tudo demais é veneno.” 

Não sei nem porque estou reclamando, a vida inteira somos preparados para enfrentar decepções, ou você pensou que as brincadeiras infantis eram puro entretenimento? A começar pela Dança das Cadeiras. Ao colocar as cadeiras em círculo em um número inferior ao de participantes a mensagem é clara: alguém vai se decepcionar, para a alegria do restante. Se eu tivesse prestado mais atenção ao ensinamento implícito, hoje não ficaria tão mal ao ser descaradamente passada para trás. A grande diferença era que todos lutavam para conseguir sua cadeira, hoje quem consegue a cadeira não foi necessariamente quem se esforçou e quando acontece, mesmo sendo previsível, ficamos decepcionados. 

Rouba Bandeira, a brincadeira consiste em dois grupos em oposição defendendo seu patrimônio, a bandeira, e cada grupo tenta roubar a bandeira do outro e trazer para seu campo, quem fizer primeiro, ganha. O típico ambiente de trabalho. Conquistamos nossa vaga e nosso espaço com bastante esforço, até que vem alguém que tenta nos roubar, alguns poucos amigos lutam para defender, mas no fim ganha quem tem mais força ou a melhor estratégia, correta ou não. Nessa eu sempre perco. A diferença é que na brincadeira todos trabalhavam para alcançar o objetivo e quando acabava, a amizade continuava; na vida real, não. 

Outra brincadeira que eu gostava muito e que devia ter prestado mais atenção era a “Travessia do Rio Vermelho”. Um grupo ficava de um lado e uma pessoa no meio da rua, esta ditava uma condição para que o grupo pudesse atravessar, quem não atendia aos requisitos precisava tentar passar sem ser pego. Se quem estava no meio da rua era muito seu amigo, ele já solicitava uma condição que você atenderia, assim você chegava ao outro lado com tranquilidade. Ora, ora, se não estamos falando do ambiente de trabalho outra vez. Se você tiver as “amizades” certas, sua vida será tranquila, senão, é melhor começar a correr! Já me sinto uma maratonista. 

Assim como uma brincadeira de criança, o impacto da decepção é passageiro, ficando apenas o aprendizado e a tentativa de não esquecer a lição aprendida. Mas caso esqueça, não se preocupe, a vida dará um jeito de te lembrar.

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