AVANÇO



Muita gente não tem afinidade com a tecnologia, e nem estou falando dos idosos. Um tempo atrás eu comecei a me perguntar em que momento eu começaria a ter dificuldades em acompanhar o desenvolvimento dos dispositivos e seus sistemas, mas analisando bem, esse momento já chegou. Embora eu use com frequência diversas plataformas on-line e redes sociais, algumas eu tenho grande dificuldade em entender o funcionamento e usar, enquanto os jovens fazem até de olhos fechados. 

Pior do que não conseguir acompanhar o avanço é não assumir que não consegue ou que não sabe. Falo por mim! Fico teimando em tentar entender um aplicativo novo, esgotando todas as possibilidades para só depois pedir ajuda. Não sei se eu me recuso a envelhecer ou se tenho medo de ficar para trás, já que eu não posso impedir o avanço da idade, ao menos quero ser uma idosa antenada. 

Outro dia vi numa rede social um vídeo em que alguém entrevistava várias pessoas e perguntava se elas usavam WhatsApp, as pessoas se assustavam e negavam veementemente ter qualquer relação com esse “tipo de coisa”, afirmavam inclusive que eram pessoas direitas e que não mexiam com “essas coisas”. Quando o entrevistador insistia que eles eram sim usuários do WhatsApp, alguns ficavam alterados e se esforçavam em provar que não se envolviam com “coisas erradas”. 

Claro que o objetivo do vídeo é ser engraçado, tanto é que só selecionaram os que se assustavam com a pergunta, dando a entender que achavam que WhatsApp era algum tipo de droga ilícita. O que me chamou atenção foi o fato de nenhum dos “assustados” terem simplesmente perguntado o que era o tal do WhatsApp, não sei se eles acreditavam que sabiam do que se tratava ou se ficaram com vergonha de dizer que não sabia. 

O fato é que para declarar no meio de outros que você não sabe algo que todos juram saber precisa de coragem. Receber os olhares e o julgamento não é para qualquer um. Por mais que seja óbvio que é impossível sabermos tudo, mesmo que de uma única área do conhecimento, ficamos com vergonha de dizer que não sabemos algo, os que se aventuram em confessar, recebem expressões de espanto e de condenação por alguém cometer o grande pecado de não saber de algo. 

Quanto a mim, agora que reconheço que comecei a diminuir o passo e que não consigo acompanhar o avanço da tecnologia e o bombardeio de informações — na verdade nunca consegui — iniciei um exercício de enfrentamento, agora eu respiro fundo, ergo a cabeça e falo: o que é isso? Conseguir pronunciar essas palavras me faz sentir que realmente avancei. Sentindo meu rosto enrubescer, suporto a indignação alheia e o constrangimento de ser apenas humana. 

Comentários