Saudade

 


Não são todas as línguas que possuem uma palavra para expressar o sentimento chamado saudade. É claro que usam outras palavras para expressar o significado. Mas temos que admitir que dizer que “sente falta” não tem o mesmo peso de dizer que está com saudade. Isso porque “sentir falta” não traduz o aperto no peito, a angústia, a ansiedade, a dor e o desejo de ter de volta a razão da nossa saudade conosco.

No entanto, a única coisa permanente nesta vida é a saudade, o restante é passageiro. A diferença é a forma como ela se manifesta. Pode surgir depois que alguém querido se vai, então ela aparece na sua forma mais agressiva e devastadora, corroendo nosso ser com questionamentos e culpa, lamentamos o dito e o não dito, o que fizemos e o que deixamos de fazer, desejamos poder mudar a triste realidade e nossa incapacidade só nos tortura.

Ela vem também quando estamos longe de alguém ou algo que amamos, mas como a possibilidade de reencontro existe, percebemos a saudade em sua forma mais branda, fazemos planos, relembramos momentos, alimentamos a esperança de estarmos juntos de novo. A projeção desse futuro nos enche de alegria e vida, nos fazendo trilhar o caminho para alcançar o alvo com determinação.

A saudade pode se apresentar também nos aquecendo com amor e deleite ao relembrarmos momentos ou períodos felizes que passamos. Uma viagem, a infância, o tempo que passamos com a família e amigos, uma conquista depois de inúmeras adversidades, um amor. Nos teletransportando para essas trajetórias sentimos o coração aquecer e um sorriso vem à boca, sonhamos acordados. Podemos ouvir sons, sentir cheiros e sabores, assim experimentamos um aconchego.

A forma mais interessante dela é sentir saudade do que não aconteceu. Quando passamos por situações difíceis logo comparamos com outras já vencidas e tendemos a exagerar nos pontos positivos, alguns que nunca existiram; o passado pode não ter sido tão bom, mas como já o superamos temos a ideia de que foi menos difícil do que o agora, aquele relacionamento era terrível, mas parecia bem melhor que o atual. Minha teoria é que a saudade pode ser vista como um consolo nos ajudando a seguir em frente, pensar que nem sempre fomos infelizes nos impulsiona.

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